A crise é da imprensa

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A imprensa brasileira está vivendo uma crise profunda por causa do crescimento da internet e do aprimoramento das redes sociais.

A falta de pauta e de criatividade e a distância do cotidiano da maioria da população tem levado o jornalismo da grande imprensa brasileira a um desespero sem precedentes.

Recente pesquisa da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República[i] revela que 26% dos entrevistados utilizam internet todos os dias, que 4% utilizam a internet pelo menos 6 dias por semana e que 6%, pelo menos 5 dias por semana.

Reforçando estes números, o Ibope Net Rankings apurou que, dos 105 milhões de internautas existentes no Brasil, 82 milhões acessam as redes sociais todos os dias.

Logo, são milhares de conteúdos geniais (muitos não tão geniais) produzidos diariamente nas redes.

Para tentar sobreviver à inovação implementada pela internet, com sua dinâmica de resposta rápida, relação horizontal e compartilhamento facilitado, a imprensa brasileira tem investido fortemente na pauta de crises.  Tempos atrás, vários autores e pesquisadores utilizam o termo “cinema-catástrofe”. André Bazin[ii] identificou essa tendência por meio do que ele chamava de “complexo de Nero”, fazendo referência ao imperador que, supostamente, pôs músicos para tocar enquanto Roma ardia em chamas.

Hoje temos, usando liberdade poética, uma “imprensa-catástrofe” que vive de crise após crise.

A crise do momento na imprensa brasileira é a relação entre PT e PMDB. E “tá” valendo tudo, de demonização a santificação em menos de cinco minutos.

Com um conteúdo raso, a imprensa vende o PMDB como um partido “carguista”, mesmo diante do fato de o PMDB da Câmara abrir mão de indicar ministro.  Mas, “peraí”, se é “carguista” por que abriu mão de indicar o ministro? Segundo a imprensa, no auge da sua tradução dos fatos, é porque o PMDB quer mais. 

Não é novidade que a imprensa demoniza todos os partidos. Hoje o alvo é o PMDB!

Os dirigentes partidários exigem mais “respeito” na relação com o maior partido do Brasil, o que é absolutamente normal  no desenvolvimento de relações entre executivo e legislativo. Foi assim na época de JK, de Sarney, Itamar, FHC, Lula e continuará sendo assim no Governo Dilma e Temer.

Mas a quem interessa promover essa crise?

Não há crise nenhuma, com lente de aumento até uma formiga fica maior que um elefante.

E por que a imprensa não dá a mesma atenção ao projeto de Marco Civil da Internet?  E aos projetos de lei contra o trabalho escravo? Por que estes avanços não são pauta diária da imprensa?  E a reforma agrária?

É por estas e outras que a imprensa brasileira vai cada vez mais perdendo credibilidade junto à população.

#ALutaContinua

 

 

Marcio Carvalho – Historiador



[i] A pesquisa da SECOM/PR optou por um universo de 18.312 entrevistados, sendo 39% destes com mais de 45 anos, 29% com até 4ª série do ensino fundamental e 31% inativo.

 (http://pt.slideshare.net/BlogDoPlanalto/pesquisa-brasileira-de-mdia-2014 )

[ii] = André Bazin (18 de abril de 1918 – 11 de novembro de 1958) foi um renomado e influente crítico e teórico de cinema

 

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