Lula e Dilma irão aos palanques do PMDB em todo o Brasil*

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BRASÍLIA – Para conter a irritação no PMDB, que poderá ficar com espaço menor no governo depois da reforma ministerial, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula discutiram ontem, no Palácio da Alvorada, uma fórmula para vincular a troca na Esplanada à formação dos palanques regionais nas eleições de outubro. Em reunião que durou cinco horas, Dilma e Lula definiram como estratégia tentar convencer o PMDB a se conformar com o prejuízo na reforma em troca do apoio de Dilma a seus candidatos nos estados.

 

A presidente se comprometerá a ir a palanques do PMDB onde haverá mais de um candidato da base aliada, como no Rio, no Rio Grande do Sul e no Ceará – em alguns casos, podendo disputar inclusive contra nomes do PT.

 

Na reunião de ontem, Dilma e Lula só avançaram na substituição nos principais ministérios ocupados pelo PT: Casa Civil, Educação e Saúde.

 

Chioro deve ficar na saúde

 

A maior dificuldade para fechar a reforma ministerial, que deverá ser anunciada no final do mês, é oferecer espaço ao PMDB e, ao mesmo tempo, agregar os novos aliados PTB, PROS e PSD – a vaga na Esplanada deve ter como contrapartida o apoio formal à reeleição.

 

Conforme O GLOBO antecipou no dia 20 de dezembro, o ministro Aloizio Mercadante (Educação) assumirá a Casa Civil no lugar de Gleisi Hoffmann, que irá disputar o governo do Paraná. A ministra-chefe está de férias até o próximo dia 27, quando volta a Brasília para fazer a transição, antes de reassumir seu mandato no Senado. Funcionários da Casa Civil, que estão de férias, estão sendo convocados a retornar, e, a partir de hoje mesmo, Mercadante começa a ter reuniões informais na Casa Civil.

 

Já para comandar o Ministério da Educação, a presidente deve nomear o secretário executivo da pasta, José Henrique Paim. E, para o Ministério da Saúde, ela deve mesmo confirmar a opção pelo secretário de Saúde de São Bernardo, Arthur Chioro.

 

Pelo menos nove ministros devem deixar o governo para disputar as eleições de outubro. O anúncio das mudanças deve ser feito assim que Dilma voltar de viagem internacional, no dia 29. Ontem à noite, Dilma se reuniu por mais de duas horas com o ministro Marcelo Crivella (Pesca), do PRB, que deverá disputar o governo do Rio – com a presidente confirmada em seu palanque. Mas Crivella pode ficar no cargo até final de março, prazo da desincompatibilização eleitoral, quando deverá ser substituído por seu secretário executivo, Átila Maia, também do PRB. Hoje, ela tratará com o ministro Fernando Pimentel sobre sua substituição no Ministério de Desenvolvimento.

 

Anúncio só depois do dia 29

 

Além de Lula, participaram da reunião de ontem Mercadante, o chefe de gabinete da Presidência, Gilles Azevedo, e Franklin Martins, ex-ministro de Comunicação Social do governo Lula. Depois da reunião no Alvorada, Lula participaria de jantar em sua homenagem na Embaixada da China.

 

Após a reunião, o porta-voz da Presidência, Thomas Traumann, disse que qualquer anúncio sobre a reforma só vai acontecer após o retorno de Dilma de viagem à Europa e a Cuba, dia 29:

 

– Não houve nenhuma confirmação. Só especulação. Todas as confirmações serão feitas após o retorno da presidente da Europa e de Cuba. A presidente Dilma recebeu o presidente Lula para uma primeira reunião deles este ano. Discutiram conjuntura, a Copa. A reforma ministerial, os novos anúncios serão feitos apenas após o retorno da presidente Dilma da sua viagem para Europa e Cuba.

 

Nó continua com o PMDB

 

O principal nó da reforma é o PMDB, que dava como certo que emplacaria o senador Vital do Rêgo (PB) no Ministério da Integração Nacional. O vice-presidente da República e presidente do partido, Michel Temer, foi informado pela própria Dilma de que isso não acontecerá e que o PMDB não ganhará, como compensação, o Ministério das Cidades, outra pasta cobiçada. O PMDB ainda deve perder o Ministério do Turismo para o PTB.

 

Os peemedebistas não aceitam como compensação o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que deve ser ocupado por Josué Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente da República, recém-filiado ao PMDB – seria da cota pessoal de Lula. Depois da rebelião ensaiada pelo PMDB, a presidente disse a Temer que deve dar outra pasta ao partido. Por exclusão, os peemedebistas presumem que será Portos ou Ciência e Tecnologia. Essa última não lhes agrada. ( Colaborou Paulo Celso Pereira )

 

Fernanda Krakovics – fernanda@bsb.oglobo.com.br

Luiza Damé – luiza@bsb.oglobo.com.br

 

Fonte: O Globo

* = Título original “Lula e Dilma traçam plano para o PMDB”

Foto: O Globo

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