O maniqueísmo nosso de cada dia – Reflexões políticas

 

bem-e-mal

                 Ao analisar a conduta diária de alguns governantes e pré-candidatos (as) a cargos eletivos, podemos ver o quanto estes estão distantes da realidade. É como se a busca pelo poder e o poder em si fossem um entorpecente permanente, uma verdadeira viagem alucinógena.

                Podemos citar como exemplo clássico a forma de atuação individual e coletiva de alguns partidos que esquecem o projeto político (o verdadeiro debate de ideias a ser feito com a sociedade) para discutir nomes, vulgarmente chamados também de: “nosso(a) candidato(a)”.

                Primeiro, aqui temos uma cara inversão de lógica política, afinal, o projeto é que vem anterior ao candidato – é necessário saber quais são os problemas e como enfrentá-los, o projeto é o alicerce fundamental de qualquer disputa política. A segunda questão é que, em um país como o Brasil, ninguém governa sozinho –  muito menos em estados ou municípios. Governar hoje é convergir esforços e forças, é preciso unir ideias e pessoas diferentes para um bem comum.

                O desdobramento despolitizado do exemplo citado resulta no maniqueísmo nosso de cada dia, na luta do bem contra o mal. A guerra intestinal partidária acaba por “rachar o que já é partido”.  O vencedor acaba sendo assimilado pelo organismo e o derrotado quase sempre é expelido (assim como no intestino).

                Crer que a política será salva por uma pessoa somente, um iluminado, um herói é uma representação ainda infantil, como a própria psicologia nos mostra. “O mito do herói é um tema recorrente em diversas histórias que encontramos em diferentes culturas desde os tempos mais remotos.  Ele representa a transição psíquica que fazemos entre uma fase de nossas vidas e a fase seguinte. O mito do herói (seja ele qual for – Hércules, Adonis, Frodo Baggins, Super-Homem, etc.) tem alguns elementos constantes em qualquer narrativa. O herói sempre começa sua jornada saindo de um lugar de conforto, em busca de algo maior e em seu caminho encontra inimigos, supera dificuldades e acaba retornando de onde veio, mas transformado em um herói.  Esse transformar-se em herói inevitavelmente envolve sacrifícios, renúncias, desprendimentos e muito esforço – como uma analogia ao que passamos para nos transformarmos em adultos.” (fonte: Site da ´psicóloga Ana Luisa Testa www.terapiaemdia.com.br)

                Se os iluminados da política tradicional conseguissem ver o que as redes e as ruas vêm ensinando diariamente, não precisariam mais passar por tamanho desgaste em disputas menores.

                Hoje, temos uma rede de compartilhamento de ideias e projetos horizontalizada, mesmo com o volume das informações temos pontos de unidade muito claros. As ruas nos mostram que não existe somente uma luta, são muitas, pois o Brasil é diverso e plural, como o seu povo.

                Milton Santos, um dos maiores intelectuais brasileiros tinha razão, “a força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos, quando apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une”.

                Já sabemos quem vencerá a disputa.

 

#EssaViagemVaiAcabar

#OPovoTemASaída

 

 

Marcio Carvalho – Historiador e Coordenador do Projeto CONEXÕES (Facebook: https://www.facebook.com/ProjetoConexoes Twitter: https://twitter.com/ProjetoConexoes )

 

 

 

 

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