Os novos desafios da JPMDB Nacional

olhando-horizonte* Márcio Carvalho – 14/01/2013

 As vésperas de uma nova convenção da JPMDB Nacional, percebo a necessidade de coletivamente fazermos algumas reflexões, autocríticas e assumirmos novos desafios.

Em artigos anteriores comentei as três fases contemporâneas da JPMDB Nacional ( 2 Coordenadores Nacionais = impasse político, Gestão João Lages = transição, Gestão Gabriel Souza = reorganização).  Estes três momentos foram fundamentais para que pudéssemos amadurecer algumas questões dentro da JPMDB.

A primeira delas é que nenhum acordo político interno pode ser feito sem ter como alicerce o trabalho real e de base, com meta programática e fidelidade partidária.   As experiências da JPMDB de organização que não tiveram como base estas premissas inevitavelmente tiveram um fim desastroso.  É só com trabalho real que a JPMDB Nacional cresce, é na ação diária e politizada, só assim fortalecemos nosso projeto político.

A segunda questão é que a JPMDB é uma organização plural e nacional. Nossa força vem da nossa unidade política e do respeito à diversidade de idéias e de projetos políticos. Todas as experiências de ação política externa da JPMDB pontuais ou regionalizadas, na maioria das vezes, não obtiveram sucesso e, quando o sucesso foi alcançado, não perduraram muito. Nosso exemplo positivo neste caso foi o vitorioso II Congresso Nacional da JPMDB, realizado no Rio de Janeiro em 2012 e o crescimento em larga escala do MDB Estudantil. Estes exemplos mostram que nossa força advém de um projeto nacional, respeitada a diversidade e a pluralidade de idéias, com trabalho de base e ação federativa.

Uma terceira questão que a realidade nos apresentou é que a JPMDB cresce e amadurece quando pratica o método dialético (tese-antítese-síntese) na relação com a juventude brasileira e suas organizações.  É na contraposição e contradição de idéias que leva a outras idéias que melhorarmos nossa ação pública, nosso programa juvenil partidário, ou seja, precisamos estar “junto e misturado” com a galera. Só assim teremos uma “práxis” partidária juvenil verdadeira.

Poderíamos citar como quarta questão a renovação dos quadros da juventude através da promoção destes para novas tarefas públicas. Exemplo disso é o Presidente Nacional da JPMDB, Gabriel Souza,  suplente de Deputado Estadual no Rio Grande do Sul que assumiu a Secretaria de Planejamento da sua cidade natal, Tramandaí. Além do Presidente Gabriel outros quadros também assumiram novas tarefas nestes últimos meses. Em Fortaleza a companheira Jade Romero assumiu como Secretária da Coordenadoria de Participação Popular da Prefeitura. Em Goiás o Presidente da JPMDB Estadual, Pablo Rezende assumiu a Secretaria Municipal de Juventude da capital. Estes são pontuais exemplos da mudança de qualidade da ação da JPMDB. Mas o que isso significa? A JPMDB é uma organização partidária exclusivamente gestora pública agora?

Nem tanto ao céu, nem tanto a terra. Tenho o entendimento que agora a JPMDB está cumprindo com louvor seu compromisso com o partido de fornecer quadros qualificados e comprometidos em melhorar as condições de vida do povo brasileiro. A JPMDB sempre cumpriu este papel, mas nas fases anteriores tínhamos um crescimento tímido, agora temos uma geração de novos quadros assumindo novas tarefas.

A JPMDB não muda sua perspectiva de ação, ela simplesmente agrega mais esta perspectiva e assume o compromisso de formar cada vez mais quadros que possam representar o partido e a juventude nas novas tarefas que estão por vir.

Porém é preciso assumir novos desafios neste contexto.

O primeiro e principal deles é cuidar da formação política da nossa militância. O crescimento da JPMDB está intimamente ligado a qualidade de intervenção política dos seus quadros, na qualidade das suas propostas para a juventude e o Brasil. Sem formação política nossa juventude está fadada a retroceder na sua evolução política e organizacional. Nossa formação política tem também de servir como ferramenta de disputa ideológica na sociedade, é preciso disputar idéias e ideais, é necessário enfrentar o conservadorismo, o machismo, o coronelismo político , o individualismo, a alienação com propostas novas, com transparência, honestidade e participação popular. Não há outro caminho para trilharmos se não for o da educação. Para isto é preciso educar-se!

O segundo desafio é ampliar nossa ação nos movimentos sociais que são a expressão verdadeira da sociedade. Crescer nossa ação estudantil e vital, porém também é necessário debater a ação das jovens mulheres, dos jovens indígenas, da juventude negra, dos jovens trabalhadores (urbanos e rurais), do movimento LGBT, dos direitos humanos, do meio ambiente, dos movimentos de bairro, dos internautas e de todas as outras expressões de organização da juventude brasileira.

Assumir mais que isso como desafio político para a próxima gestão da JPMDB também seria desrespeitar a correlação de forças atuais da sociedade, da JPMDB e do partido.

Bora lá galera!

A luta continua!

“Ontem um menino que brincava me falou

Hoje é a semente do amanhã

Para não ter medo que este tempo vai passar

Não se desespere, nem pare de sonhar

Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs

Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar

Fé na vida, fé no homem, fé no que virá

Nós podemos tudo, nós podemos mais

Vamos lá fazer o que será”

(Nunca pare de sonhar – Gonzaguinha)

* Marcio Carvalho, 34 anos, é historiador, Vice-Presidente da Fundação Ulysses Guimarães do Paraná e atua no momento como Coordenador Geral de Relações Institucionais da Secretaria Nacional de Juventude do Governo Federal

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