Política e Eleição em tempos de redes sociais

especial

 

(*) Jose Carlos Sucupira

As manifestações de rua de 2013 trouxeram dados novos para o cenário político brasileiro: um deles foi a horizontalidade com que o movimento se alastrou. Cidades que nunca tinham conhecido uma passeata foram palco de manifestações políticas.
Essa horizontalidade se deve, em grande medida, ao peso que as redes sociais e a internet adquiriram na sociedade brasileira, tornando-se peças essenciais na mobilização.

Pesquisa do Ibope feita na época trouxe dados interessantes.  Dentre os participantes das manifestações, 91% tomaram conhecimento delas pela internet:

62% pelo Facebook e 29% por outras formas (Twitter, e-mails etc). A TV levou a informação a apenas 14%; o rádio, a 4% e; os jornais impressos, a outros 4%. (A soma ultrapassa os 100% porque alguns foram informados por mais de um veículo.)

Mais: 75% dos manifestantes convocaram amigos por meio das redes sociais. Ou seja, as redes permitiram que as pessoas não fossem passivas, fazendo com que, uma vez convocadas, passassem a ser elementos mobilizadores.

Quase a metade dos participantes (46%) nunca tinha ido a manifestações, o que é um dado significativo. Provavelmente indica que as redes sociais ajudaram a incorporar um contingente novo à participação política direta.

Outro dado interessante: 89% afirmaram ter interesse na política, sendo que, destes, 61% deles disseram ter “muito interesse” e 28%, “interesse médio”. Apesar disso, apenas 4% eram filiados a partido e 14% a sindicato, entidade de classe ou entidade estudantil.
E 83% não se sentem representados por qualquer político. O percentual sobe para 89% quando a pergunta é sobre se o manifestante se sente representado por algum dos partidos existentes.

Como se vê, a pesquisa dá material de sobra para quem se dispuser a traçar um perfil de quem foi para as ruas e a compreender como se mobilizaram para tal. De quebra, traz elementos para que se constatar a fragilidade dos esquemas de representação.
A internet e as redes sociais são uma realidade que veio para ficar e que muda muita coisa na relação das pessoas com as instituições políticas.

Mas surgem perguntas.

Como deve ser regulada a campanha nas redes? Como compatibilizar a liberdade de expressão com restrições a calúnia, difamação e injúria?

Quem deve ser responsabilizado no caso de esses crimes serem praticados? Quem primeiro postou a informação errada ou também quem a compartilhou? Qual a responsabilidade de empresas como o Google, que são canais para a difusão da informação?
Como garantir direito de resposta, dada a multilateralidade da internet? Como garantir uma determinação judicial para a retirada do ar de determinada informação, dado que ela pode ser compartilhada em proporções geométricas?
Enfim, a internet muda muita coisa para melhor, mas traz problemas novos.

Aproveitar seu potencial democratizante é essencial. Buscar formas para que ele não abra caminho para a irresponsabilidade é um desafio a ser enfrentado.

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