Por que o vídeo é o novo texto

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No último mês, o Skype lançou um app novo pra mobile que deixa claro qual a expectativa da Microsoft pro futuro da comunicação por vídeos curtos. Chamado de Skype Qik – ou seja, é um app diferente do Skype, e não uma funcionalidade dentro do original – ele funciona como um Whatsapp de vídeos curtos.

Você pressiona e segura um botão na tela do telefone e grava um vídeo de até 42 segundos (algo me diz que esse número não é por acaso) pra enviar pra um contato ou pra um grupo deles. Se você estiver sem sinal, pode gravar a mensagem do mesmo jeito e ela será enviada pelo app automaticamente assim que o sinal voltar. E os vídeos são todos removidos automaticamente depois de duas semanas desde a gravação. O Snapchat já tem uma função parecida desde maio desse ano.

Ao mesmo tempo, rolar a timeline do Facebook está cada vez mais parecido com zapear por uma TV sem áudio: Vídeo, vídeo, vídeo, um status em texto, vídeo… se algo interessa, a gente para e aumenta o volume. Se não, passa batido e a gente continua rolando atrás de algo que valha nosso tempo.

A aposta do Facebook pra conteúdo é vídeo, como fica claro nas ferramentas facilitadoras que a rede social vem disponibilizando pra quem quer postar vídeos direto no Facebook. E você deve ter ouvido falar que o Facebook já ultrapassou o YouTube na quantidade de views por mês, ao menos no desktop. É óbvio: com todos aqueles plays automáticos na timeline, fica fácil.

Vídeo ou morte!

Há poucos meses, eu fui até a sede da 301.yt, a mais recente empreitada do Mr. Manson pra bater um papo. Não era uma entrevista exatamente pra essa matéria, mas acho que ele não vai se importar se eu contar que ele disse que minha forma de ganhar dinheiro – mais especificamente, escrever textos – estava com os dias contados e que era bom que eu aprendesse a me virar bem produzindo vídeos curtos, em vez de reportar as coisas por escrito.

Eu não tinha parado pra pensar nisso até aquele momento, mas me dei conta de que talvez ele não estivesse muito enganado. Não é só o Mr. Manson que está apostando nessa guinada do consumo de conteúdo: um estudo recente do Aberdeen Group, um instituto de pesquisas especializado em estudos sobre tendências corporativas, crava: o vídeo é o novo documento. E o Alexandre Matias, em coluna pro youPIX também defende que a era do texto está quase no fim.

De acordo com o report, as empresas vão migrar gradativamente suas comunicações de texto para vídeos. Cada vez mais blogs, em todas as áreas, produzem vídeos em vez de posts – e usam a plataforma do blog só pra divulgar os lançamentos no YouTube.

Na verdade, os vídeos estão por todos os lugares: não preciso nem te lembrar da quantidade deles que você recebe no Whatsapp. Os gifs que ilustram matérias e que servem pra comunicar reações no Relay, por exemplo, as pílulas de animação no Vine e a função de vídeos do Instagram são todos movimentos que apontam pra uma coisa só: J.K. Rowling é uma visionária.

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 Como eu me sinto quando…
Curiosamente, os hábitos de comunicação e de consumo de conteúdo que construímos e assimilamos como sociedade nos últimos anos apontam, todos, para o caminho contrário. Nos habituamos a falar com o outro de maneira fragmentada, mais livre e na medida em que quisermos (e por isso a polêmica atualização do Whatsapp, que informa que horas as mensagens foram lidas, foi tão impopular), e não em acordo com a demanda desse outro.

Também fragmentada está a maneira como consumimos conteúdo. Nossa atenção está distribuída entre os equipamentos e plataformas nas quais dividimos nossas vidas com nossa rede de contatos. Como o vídeo, um formato que exige um nível de atenção tão alto e dedicado, está recebendo tanta atenção e ganhando tanto espaço no nosso cotidiano?

De acordo com a psicóloga Pamela Rutledge, especializada em psicologia de mídia, a gente ama vídeos por causa dos neurônios-espelho, células cerebrais responsáveis por gerar, dentro do cérebro, uma simulação interna dos atos dos outros. Trocando em miúdos: quando a gente vê alguém fazendo algo, ativa as mesmas regiões do cérebro que ativaríamos se estivéssemos, nós mesmos, fazendo aquilo. É a lógica do “Como eu me sinto quando”…  um gif animado tem um poder imenso de fazer você se identificar mais com aquele conteúdo.

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“Vídeo e imagem são tecnologias ricas em informação – elas entregam uma gama maior de informação do que texto, incluindo emoções, contexto e significados subjetivos. A relação muda. Os produtores de conteúdo passam de comunicadores de mão única para compartilhadores de experiências. Um comentário ou descrição acaba se tornando, em vídeo, uma experiência vivida junto com os usuários. Os neurônios espelho no nosso cérebro fazem com que experiências que testemunhamos – também em vídeo – sejam interpretadas como se estivéssemos lá, vivendo a mesma coisa. O cérebro não distingue as duas coisas”, explica ela.

É a empatia, fruto de uma das estruturas biológicas mais importantes (aquela que, de acordo com muitos neurologistas e cientistas sociais, garantiu que chegássemos tão longe como espécie – essa matéria explica a coisa toda de maneira bem didática, pra quem ficou curioso sobre o mecanismo), que está mudando de maneira definitiva nossos hábitos de consumo de informação. “O apelo dos vídeos não tem a ver com atenção dedicada ou investimento de tempo – tem a ver com a experiência do vídeo”, completa ela.

Agora que isso está claro, minha pergunta é: você teria preferido saber disso tudo em um vídeo? :)

 

Fonte: Youpix

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